quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Dúvida Internauta - Diferença entre Missionário e Evangelista

PERGUNTA:
OLÁ PASTOR! GOSTARIA DE SABER QUAL A DIFERENÇA ENTRE SER MISSIONARIO OU EVANGELISTA NA I.P.B (Igreja Presbiteriana do Brasil). QUAL O PAPEL DE CADA UM? E QUAL O CURSO DESTINADO, OK. ABRAÇOS! OLIVEIRA-CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM-ES
RESPOSTA:
Na verdade essa é uma discussão ainda em aberto na IPB; creio que é porque a própria bíblia não se preocupa em fazer muito esta distinção. Alguns pedem que seja feito um estudo mais acurado e sejam revistos alguns pontos. No entanto, o entendimento geral é o seguinte:
1- O termo Missionário, ou, missão, não existe na bíblia. Mas isso não significa que o missionário não deva existir, uma vez que o apóstolo Paulo, é o modelo de missionário, dentro dos parâmetros todas as igrejas (independente de ser presbiteriana ou não) seguem.
2- O termo evangelista aparece 3 vezes: a) No dia seguinte, partimos e fomos para Cesaréia; e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele (Atos 21:8). b) Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério (2 Timóteo 4:5). C) E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres (Ef. 4:11)
3- Apesar dessas definições, ambos os termos (missionário ou evangelista) têm o mesmo dever: pregar o evangelho.
4- Conveniou-se historicamente nas denominações e não só na IPB ligar o Missionário mais ao Campo "Transcultural"; ele prega o evangelho visando estabelecer, fundar novas igrejas onde ainda Cristo não foi anunciado; fora de nossa "cultura" local. Já o evangelista é aquele (e pode ser todos nós) indistintivamente, que testemunha o evangelho no "dia a dia". Mas, observe essa não é uma distinção bíblica, é apenas Funcional.
5- Mas é preciso fazer ainda uma distinção de DOM X RESPONSABILIDADE. Todos os crentes têm a RESPONSABILIDADE pregar o evangelho, no entanto, para alguns, mais especificamente Deus deu o DOM ESPIRITUAL DE EVANGELISTA.
Na IPB, a pessoa que possui o dom de evangelista pode ser desde um evangelista leigo sem treinamento formal a serviço da igreja (remunerado ou não); pode ser um evangelista treinado (abaixo explico), um evangelista que seja um trabalhador crente comum, um pastor, um mestre ou mesmo um missionário.
Por causa disso a IPB toma alguns passos:
A) Para quem quer ser um Evangelista (para o dia a dia) ou a serviço da igreja local. A IPB possui vários Institutos Bíblicos. Um dos mais renomados está próximo do Espírito Santo; o IBEL (Instituto Bíblico Eduardo Laine - em Patrocínio (MG). O IBEL oferece um curso preparatório (CPO - Curso de Preparação de Obreiros) nos meses de janeiro de cada ano; esse evangelista pode ser remunerado financeiramente, ou não, a juízo do conselho local de cada igreja, e trabalha nos limites dessa igreja, evangelizando.
B) Para quem se sente vocacionado para ser um Missionário. Esse fará um curso de 2 a 3 anos e será enviado ao campo (no Brasil ou no exterior). Esse curso é mais longo devido a experiência com outra cultura. Boa partre dos missioários (em todas as denominações) retornam do campo frustrados, antes de um ano, por causa do "choque cultural", dificuldades financeiras e sonhos frustrados.
C) E quem se sente vocacionado para ser Ministro do Evangelho na IPB (pastor)? É digno de nota que somente os pastores recebem a imposição de mãos do presbitério e dirigem a igreja em conjunto com o conselho. O Curso de Teologia (A IPB possui 9 seminários no Brasil) para o pastor dura 4 a 5 anos e tem toda uma dinâmica mais profunda e demorada. A pessoa que se sente vocacionada para o pastorado deve ter 2º grau completo e no mínimo 3 anos de membro. Comparece ao conselho que a examina, em conjunto com a igreja, durante 01 ano (aqui ela se torna "aspirante" ao ministério). Aprovada ela segue ao presbitério (que geralmente pede mais um ano de exame); em aceito ela se torna "candidato" ao ministério. Deve então ser submetido no seminário a um vestibular (3 avaliações: português, inglês, conhecimentos bíblicos) e um exame psicológico (deve apresentar atestado de sanidade mental). Sendo aprovado ele se torna "seminarista". O presbitério nomeia um tutor (geralmente um pastor) para acompanhá-lo durante o curso que dura de 4 a 5 anos - estudando num total aproximado de 110 matérias (destaco algumas: Português, Grego, Hebraico, Espanhol, Inglês, Teologia Sistemática, Bíblica, Prática, Contemporânea; Filosofia, Sociologia, Psicologia, Heterodoxia, Admistração Eclesiástica, Hermenêutica, História Geral e da Igreja, etc...). Será avaliado de 6 em 6 meses. Ao final do curso, em sendo aprovado, o Seminarista deve apresentar ao presbitério uma exegese num texto original (grego ou hebraico - com discussão consistente com aproximadamente 50 páginas) e uma monografia num tema relevante (discussão consistente com aproximadamente 70 páginas). Ambos serão examinados por uma comissão formada por pastores e presbíteros. Assim o seminarista será novamente examinado quanto a experência religiosa, doutrinas vigentes, ordens da igreja e pregará um sermão de prova perante o presbitério. Em aprovado este agora tornar-se-á um "pastor licenciado". A licenciatura dura de 01 a 03 anos, sob a tutela de outro pastor mais experiente. Esse pastor licenciado estará trabalhando numa igreja normalmente, porém não poderá ministrar ceia, nem a bênção apostólica, nem dirigir reuniões do conselho, ou realizar batismo. Findo o período de licenciatura, tudo correndo bem, o presbitério, por meio da imposição de mãos, o ordena Ministro do Evangelho (pastor) a serviço da Igreja Presbiteriana do Brasil.
D) É digno de nota que a IPB não ordena mulheres para pastorado, presbíterato ou diaconato. Mas elas podem, se quiserem, fazer qualquer um dos cursos, tanto no Seminário, quanto nos Institutos Bíblicos. O seminário não forma pastor; dá sim uma estrutura teológica; forma teólogos. Mas ainda que as irmãs não possam ser ordenadas nestes três ofícios (pastor, presbítero e diácono) elas podem ser evangelistas ou missionárias, normalmente. Não se esqueça que a conveniência ou não da ordenação de qualquer pastor na IPB é função do presbitério (o presbitério é como se fosse uma supervisão regional das igrejas de uma determinada localidade), e todo pastor deve declarar Fidelidade às Escrituras e aos Símbolos de Fé (Confissão de Fé, Catecismo Maior e Catecismo Menor de Westminster).
Rev. Valdemir Oliveira dos Santos.

2 comentários:

  1. porque para um homem ser pastor tem quer passar por, obreiro, diácono, presbítero, missionário, evangelista e co-pastor e pra mulher corta-se alguns desses como presbítero? e é bíblico a ordenasse de pastora?

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