quarta-feira, 6 de setembro de 2017

PÉS SOBRE OS MONTES

Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas” (Is. 52.7)

Formosos não são quaisquer pés, mas, os pés que estão sobre os montes. A perspicuidade bíblica aplicada a esta metáfora é, sem dúvida alguma, muito adequada. Morei 10 anos em Belo Horizonte (MG), e sei muito bem, pela experiência, daquilo que este texto está falando. Não há relevo mais difícil de vencer do que este. Diversas foram as vezes, durante os anos de estudo no Seminário, que, para poder dar leite ao meu filho, o único recurso que eu tinha, era economizar no valor da passagem do ônibus. Eu saída de casa a pé, às 5h30 da manhã em direção ao Seminário. Mas, o pior estava quando as aulas terminavam (às 12h30); agora, sob um sol causticante, eu tinha que, a pé, superar as subidas. Aproximando-se das 14h00, eu chegava em casa, suado, esmorecido, esfomeado; mas, ao ver o Gabriel, gordinho, sorrir, todo cansaço sumia... Vanderley Luxemburgo, quando liderou o espetacular time do Cruzeiro (em sua era de ouro), disse que “em BH aprendemos que atrás de um grande morro, tem sempre outro morro maior...”
Como disse, a metáfora é muito adequada. Para se alcançar o coração de um ser humano, é preciso fazer um grande esforço; enfrentar barreiras, vencer o cansaço, o desânimo, e até, correr riscos... A tarefa da evangelização leva o obreiro a muitas circunstâncias difíceis, nas quais é tentado a desanimar, e a achar que a jornada é grande e pesada demais para ele. Muitas são as circunstâncias em que o evangelista sentir-se-á sozinho, cansado, subindo os montes, e encontrando outros, maiores, à frente de si. O Senhor Jesus disse “vos envio como ovelhas para o meio de lobos... rogai ao Senhor da seara que envie mais trabalhadores para a seara... a seara é grande, mas, os trabalhadores, são poucos...” (Lc. 10.2).
Portanto, revigorem-se e reanimem-se! O nosso Deus só tem uma estratégia: “salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1 Co. 1.21). A beleza que impressiona o Senhor não são a dos rostos pálidos, maquiados, esticados, e embelezados no conforto da religiosidade, mas a dos pés que sobem montes, e outros à frente deles. Estes pés estão sujos, sim, outras vezes, mal cheirosos, feridos, enlameados, empoeirados, e machucados, mas, tais marcas, são as marcas  da disposição, da intrepidez, e do urgente compromisso com a mais sublime de todas as missões: fazer Cristo conhecido em todo lugar. Desanima não, irmão, continua a jornada; sua direção é para frente, e para cima. AVANCE!!
Ouvi, recentemente, numa conferência, o atual presidente da IPB, Reverendo Roberto Brasileiro. Ele disse a Igreja Presbiteriana aprendeu, e muito bem, os “05 Solas” da Reforma (“Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fidei, Solus Christus, Soli Deo Glória”), no entanto, a grande necessidade da IPB, no atual momento, é aprender (e praticar) o “Sexto Sola”: o “Sola de Sapato!” Disse ele: “É urgente que saiamos do conforto dos nosso templos para gastarmos sola de sapato! É tempo de subirmos o morro, e ainda, outro morro à frente dele. Temos que “suar a camisa”, e nos desgastarmos na obra do Senhor, em tempo e fora de tempo; faça chuva, ou faça sol” (*paráfrase minha).
Dizem que uma mulher só está bela, e elegante, sobre um scarpin. O texto bíblico nos projeta para outra direção, ele fala de uma rara beleza; aquela que não se encontra sobre os scarpins, mas sobre os montes: “Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is. 52.7).

Reverendo Valdemir Oliveira dos Santos

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

PÉS FORMOSOS

”Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!’’ - Isaías 52:7
   
Nos tempos bíblicos as ruas não eram calçadas; havia muita poeira, e as pessoas andavam descalças ou de sandálias. Os pés estavam sempre empoeirados, sujos, mal cheirosos, e até machucados; não eram os mais belos, e nem os mais agradáveis de se ver. Era deselegante entrar numa casa e o anfitrião não lhe oferecer uma bacia, com água, para lavar os pés (Lc. 7.44). Os “pés”, naquela época eram (e ainda são)  uma das partes menos valorizadas do corpo.
O nosso modo de valorizar a beleza das pessoas não mudou. Como nos tempos bíblicos (Et. 2.2-4), hoje ainda,  valorizamos a beleza pelas feições do rosto, olhos, na cor da pele, textura do cabelo... As indústrias de cosméticos proliferam, e a cada dia aumenta o número, (até entre os crentes) de pessoas preocupadas com a estética; aplicações de “botox”, cirurgias plásticas, e enchimento de lábios...
Por que, em Isaías 52.7 (e Naum 1.15, e Romanos 10.15) são elogiados são os pés, e não os rostos (geralmente esticados, e cheios de botox)? Aqui há uma figura de linguagem; os pés representam a pessoa. Os pés falam-nos da atitude de movimento em direção ao outro, em direção àqueles que estão presos em grilhões, e que ainda não sabem que “já raiou a liberdade o horizonte espiritual”. De nada adianta uma igreja cheia de “faces bonitas”, se não houver pés dispostos a ir. O que Isaías quer dizer é que “o que” eles (os pés) possibilitavam trazer (as boas novas), os tornava “formosos”, esplêndidos, belos” Não era o que eles eram em si, mas, o que eles portavam: “As Boas Novas da Salvação”. Essas boas novas só chegaram às pessoas porque os pés levaram, até lá, os mensageiros. O que nos difere dos meramente religiosos, egoístas, e insensíveis são nossos pés; é a nossa disposição de sair da nossa “zona de conforto” para alcançar o perdido, esteja ele onde estiver. Isso equivale a dizer: “Quão belos, quão agradáveis, quão dignos, quão merecedores de honra e respeito, são as pessoas, os mensageiros, os evangelistas, pois, por meio de seus pés, levaram as boas novas de salvação a todos os povos”.
Olhe agora para os seus pés e os contemple. Questione se, nesta perspectiva (na perspectiva, de Deus), Eles são belos... Deus não vê como vê o homem (1 Sa. 16.7). O homem olha o rosto, Deus olha os pés. O que me apavora, muitas vezes, é o que as estatísticas nos informam; 95% dos crentes jamais levou alguém aos pés de Jesus. Entristeço-me com o fato que nunca tivemos uma igreja com faces tão bonitas, mas, com pés tão feios...

Do ponto de vista dos céus, não existe nada tão amável, tão admirável sobre a terra, do que a propagação do nome de Jesus Cristo, a um mundo em necessidade. E isso só acontece, porque os pés levam os mensageiros até o povo que carece de esperança. A verdadeira formosura, não se encontra nos rostos, mas, nos pés: “‘Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas!!”.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

OS NOSSOS PRETENSOS MÉRITOS DIANTE DO PADRÃO DIVINO

Estou, nesta semana, lendo o capítulo 12 do livro 3 ("As Institutas"), onde Calvino (tratando sobre a doutrina da Justificação) fala sobre "julgarmos nossos pretensos méritos, não à luz do juízo humano, mas à luz do padrão divino".
Calvino nos "joga na lona"; ele diz:
"Aqueles que sob a vista de Deus, seriamente cogitam da verdadeira norma de justiça, por certo descobrirão que todas as obras dos homens, se forem estimadas em sua dignidade, nada mais são do que imundície e indignidade, e a que comumente se tem por justiça, essa diante de Deus é pura iniquidade; a que se considera integridade não passa de poluição; a que julga glória não passa de desonra" (J. Calvino).
Veja mais uma preciosa pérola, dos ensinos do mestre Calvino:
"É necessário excluir-se toda e qualquer confiança em nós mesmos, para que, desimpedidos, nos apressemos rumo a Cristo, a fim de que, vazios e famintos, possamos fartar-nos de suas coisas boas. Pois jamais confiaremos nele suficientemente, a menos que, suspeitando profundamente de nós mesmos; jamais alcançaremos suficientemente em nós o ânimo para com ele, a menos que antes nos sintamos abatidos em nós mesmos; jamais nos consolaremos suficientemente nele, a menos que em nós mesmos nos sintamos desolados. Portanto, sendo a confiança pessoal inteiramente eliminada, de fato apoiados unicamente na certeza de sua bondade, estamos capacitados para aprender e obter a graça de Deus, quando, como diz Agostinho, esquecidos de nossos méritos, abraçamos os dons de Cristo, visto que, se ele buscasse em nós méritos pessoais, não viríamos a seus dons. Com quem concordemente faz côro Bernardo, comparando os presunçosos a servos desleais, porque contra toda razão retêm para si o louvor da graça, quando a mesma nem passa por eles; como se uma parede se vangloriasse de ter sido a causa do raio de sol, que ela recebe por meio de uma janela" (João Calvino).

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A NOBREZA DA IGREJA BEREANA

Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim" (Atos dos apóstolos 17.11)

Paulo fundou a igreja de Beréia; ali muitos creram em Jesus (At. 17.12). E, no único versículo que descreve esta igreja dá-lhe a alcunha de igreja “nobre”.  A nobreza de Beréia não significa que eram  “esnobes”, “metidos, ou, “ricos”. Este termo transmite a idéia de que eles eram “evoluídos”, “avançados”, à frente de seu tempo”; . Os crentes de Beréia rapidamente avançaram; tornaram-se mais nobres, ou seja, “maduros espiritualmente”.
1- OS CRENTES DE BERÉIA ERAM MAIS NOBRES PORQUE RECEBERAM A MENSAGEM “COM AVIDEZ”
O que esta parte do versículo 17 quer dizer é que a mensagem (das Escrituras) foi recebida no coração dos bereanos com disposição, interesse, e de bom grado. A Palavra de Deus é a autoridade (de Deus) sobre nossa vida; é nossa única regra de fé e prática.
Falta muito desta virtude nos crentes de nossos dias. Poucos são os que têm interesse real para com a bíblia. Gastam-se horas em internet, novelas, encontros sociais, whatsapp (até no momento do culto); muitos, quando vão à EBD, sequer sabem qual é a lição a ser estudada... Precisamos de um avivamento espiritual, na área da “avidez” para com as escrituras.
2- OS CRENTES DE BERÉIA ERAM MAIS NOBRES PORQUE “EXAMINAVAM” AS ESCRITURAS.
Perceba, não eram apenas os líderes, mas toda igreja. Preocupavam-se não apenas em ler (o que já é bom), mas em “examinar”, em estudar a bíblia. O verbo “examinar” transmite a ideia de uma “investigação num tribunal”. Eles eram “detetives” das escrituras; o interesse não era meramente especulativo, ou “a crítica pela crítica”, mas “conferir e se aprofundar” “para ver se as coisas eram, de fato, assim”.
Muitos sãos os crentes, hoje em dia, que acreditam em crendices, simpatias, e horóscopo porque não investimento tempo no exame criterioso da bíblia. Com isso também crêem que frases tais como “pau que nasce torto, morre torto”, ou “faz a tua parte que eu te ajudarei”, encontram-se na bíblia. Aff... É extremamente ralo o nível de profundidade bíblica dos crentes de nossos dias.
3- OS CRENTES DE BERÉIA ERAM MAIS NOBRE PORQUE, COM AVIDEZ, EXAMINAVAM AS ESCRITURAS “TODOS OS DIAS”.
Aqueles crentes dedicavam tempo para as Escrituras, e faziam isso continuamente, para ser mais preciso: diariamente. Isso diz respeito à diligência, à dedicação, à perseverança nas escrituras.
Boa parte dos crentes de nossos dias não lê a bíblia sequer 5 minutos por dia. A maioria nunca a leu toda, sequencialmente (de Gênesis a Apocalipse). São analfabetos bíblicos (Sl 1.1-2).
O ponto principal da nobreza de Beréia estava em seu relacionamento com o Livro Sagrado (a bíblia). Beréia era criteriosa, mantinha-se focada, diariamente, na bíblia. Com avidez, mantinha-se perseverante nas Escrituras, examinando-a todos os dias, conferindo se “as coisas de fato eram assim”, e, como consequência disso: “... muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens ” (At. 17.12).

A Palavra de Deus tem prioridade na sua vida?

sábado, 17 de junho de 2017

A LEI DA OBJETIVIDADE RETILÍNEA E ASCENDENTE DA HISTÓRIA

Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porem, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto ESTABELECEU um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos" -  Atos dos Apóstolos 17.30.31.


A LEI DA OBJETIVIDADE RETILÍNEA E ASCENDENTE DA HISTÓRIA nos ensina que a nossa vida caminha para frente; a linha da história não é cíclica (como pensam “os espíritas”), e não é aleatória e sem sentido (como pensam os “promíscuos e naturalistas”); é retilínea, é objetiva, e é ascendente... A história está sendo gerida, e administrada pelo “Soberano de todas as coisas”, Aquele que se assenta o trono do Universo; esta história universal caminha para um dia específico, para um dia com um objetivo proposto: o dia do acerto final de contas.
A Palavra de Deus nos diz, no livro dos Atos dos Apóstolos (17.30.31): “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porem, notifica (observe a linguagem jurídica) aos homens que todos (observe a universalidade racial e temporal), em toda parte (observe a universalidade geográfica), se arrependam; porquanto ESTABELECEU (mesma palavra de Hebreus 3.4 para a “casa estabelecida por Deus”) um dia (observe a especificidade históricanão é aleatório: “qualquer dia”) em que há de julgar o mundo com justiça (observe a equidade do juízo), por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos”.
Muitas vezes parece-nos que a história está se repetindo, e temos a sensação que está  fora de controle; parece-nos, muitas vezes, com um caminhão desgovernado, sem freio, sem alguém na direção, descendo ladeira abaixo... Vemos as coisas piorarem a cada dia... antigamente, os maconheiros se escondiam; hoje eles fazem o que querem, à luz do dia... Vemos uma justiça torta e deficiente... Nunca a sociedade foi tão promíscua, tão sem-vergonha, e devassa, como nos nossos dias... homens com homens se ajuntam; mulheres com mulheres se ajuntam, e querem que a sociedade aceite tal postura como “normal; como natural”; e mais, taxam como “homofóbicos” (uma doença) àqueles que se opõem a tais comportamentos, que a bíblia chama ABOMINAÇÃO (Lv. 18.22), IMUNDÍCIA, PAIXÃO INFAME, E TORPEZA (Rm. 1.24-27).
É a bíblia que diz: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados (passivo), nem sodomitas (ativo), nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores, herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no espírito do nosso Deus” (1ª Co. 6.9-11).
Algumas coisas são importantes de se dizer aqui: 1) TODOS OS PECADOS SÃO IGUAIS (todos os comportamentos desvairados são colocados na mesma categoria: pecado). 2) PARA TODOS OS PECADOS HÁ REDENÇÃO (“tais fostes (passado) alguns de vós”; não são mais). 3) O CAMINHO DE REDENÇÃO DE UM É O MESMO CAMINHO DE TODOS: “mas vós vos lavastes... fostes santificados..., fostes justificados” (Deus trata como se nunca tivessem feito nada daquilo; seja roubar, ou ter se envolvido com prostituição homossexual - será como  se não devessem nada a ele). Mas tem que ser por meio da obra de “Jesus e no Espírito Santo”; não pelo caminho da “psicologia” moderna.
A igreja e toda sociedade precisa se conscientizar que a história caminha para um dia: o dia que Deus “estabeleceu SOBERANAMENTE”. Isso é A OBJETIVIDADE RETILÍNEA E ASCENDENTE DA HISTÓRIA (pois, ela caminha em linha reta, mas, PARA Deus – por isso é ascendente). No entanto, Jesus já deixou claro: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mt. 24.36).
Em termos gerais o que sabemos (e isso nos é significativo) acerca desse dia é que: 1) TODOS COMPARECEREMOS PERANTE O TRONO BRANCO (Ap. 20.12,13), 2) TODOS SEREMOS JULGADOS (Rm. 14.10, 2Co. 5.10), OS GRANDES E OS PEQUENOS, OS VIVOS, E OS MORTOS (Ap. 20.), e que, portanto, 3) TODOS DEVEMOS ESTAR PREPARADOS PORQUE ESSE DIA CHEGARÁ QUANDO MENOS SE ESPERA: “Prepara-te, ó Israel para te encontrares com o Senhor teu Deus” (Am. 4.12; veja também Mateus 24.42-44).
Desde o Antigo Testamento, Sofonias 1.14-18, e outros profetas mais, já nos advertiram:Está perto o grande e terrível DIA do SENHOR; está perto e muito se apressa. Atenção! O Dia do SENHOR é amargo, e nele clama até o homem poderoso. 15 Aquele dia é dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e desolação, dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas, 16 dia de trombeta e de rebate contra a cidade forte e contra as torres altas. 17 Trarei angústia sobre os homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o SENHOR; e o sangue deles se derramará como pó, e a sua carne será atirada como esterco. 18 Nem a sua prata nem o seu ouro os poderão livrar no dia da indignação do SENHOR, mas, pelo fogo do seu zelo, a terra será consumida, porque , certamente, fará destruição total e repentina de todos os moradores da terra”.
A história não é cíclica, não é aleatória; é linear, é retilínea, é objetiva, é ascendente. Por incrível que pareça, todos os caminhos, de uma forma ou outra, te levam a Deus: PARA SER ABSOLVIDO, OU PARA SER CONDENADO.  Aqueles que estiverem em Jesus não precisam temer (Jo. 3.36, 5.24); podem louvar a Deus, como, há séculos se canta na Igreja Presbiteriana: “Oh, que dia glorioso esse dia há de ser, quando o som da trombeta ecoar; quando Cristo nas nuvens tiver de descer, E então, triunfante reinar!!” (Hinário Presbiteriano “Novo Cântico” nº 292).

quinta-feira, 25 de maio de 2017

AS CARACTERÍSTICAS DA ORAÇÃO DE UMA IGREJA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO

O livro dos Atos dos apóstolos trata sobre a continuidade da obra de Jesus por meio da ação do Espírito Santo na vida da igreja. Em Atos 2 o Espírito Santo inaugura, e enche a igreja. Em Atos 3 seus líderes (os apóstolos Pedro e João) curam um coxo. Em Atos 4 são presos (pelo Sinédrio) por causa do milagre ocorrido e da pregação, explicando o milagre, feita por Pedro.
Ao serem soltos, Pedro e João, buscam a companhia dos irmãos (4.23), e toda igreja ora a Deus a oração a seguir: “Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: "24 Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; 25 que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? 26 Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; 27 porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, 28 para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram; 29 agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, 30 enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (Atos 4.24-28).
 Vejamos o que este texto (At. 4.24-28) revela-nos sobre as características da oração de uma igreja cheia do Espírito Santo:
1) Uma oração UNÂNIME -Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus” (At 4.24)
A igreja inteira levantou a voz em oração; isso mostra que havia interesse comum, um só objetivo (veja ainda 1.14; 2.46; 4.24; 5.12; 15.25). Igreja cheia do Espírito é igreja consciente que somos um corpo (1 Co. 12.12-27); não podemos “puxar um para cada lado”. A alegria de um deve ser a alegria de todos; a tristeza de um, deve ser a tristeza de todos (Rm. 12,15; Mt. 18.19).
2) Uma oração DIRIGIDA AO SOBERANO CRIADOR DE TUDO – Tu, Soberano Senhor...” (4.24)
Esta expressão, “soberano” (despotes, em grego), denota o controle absoluto de Deus sobre tudo quanto acontece.
O Sinédrio podia fazer ameaças e proibições, e tentar silenciar a igreja, mas sua  autoridade(do Sinédrio) estava sujeita a uma autoridade ainda maior (Jo. 19.11). Os decretos dos homens não podem derrubar os decretos de Deus. Numa igreja cheia do Espírito todo povo deve ter a consciência da POSIÇÃO daquele a quem TODOS dirigem a oração (Dn. 4.35).
3) Uma oração FUNDAMENTADA NA PALAVRA DE DEUS – “que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?” (4.25).
Essa é uma citação do Salmo 2, o qual descreve a revolta das nações contra o Senhor e Seu Ungido (Cristo). O que os “reis da terra” fizeram no Salmo 2 (rebelião ao governo de Cristo) é precisamente o que o Sinédrio estava fazendo.
Aquela igreja conseguiu discernir que o nosso Deus é o Deus que se revela por meio das Escrituras. Esta oração indica que uma igreja cheia do Espírito Santo, deve se voltar para A PALAVRA em tempos de perseguição, e nela (na Escritura) encontrar consolo. A Palavra de Deus é suficiente (“Sola Scriptura”). Numa igreja, cheia do Espírito Santo a oração e a Palavra, andam, caminham, sempre juntas (Jo 15.7).
4) Uma oração CONFIANTE NO PODER PROVIDENCIAL DE DEUS – “porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, 28 para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram (4.27,28);
O Salmo 2 revela a completa tolice das nações em tramar contra Deus, pois todos os seus esforços (das nações rebeldes) seriam frustrados. Tudo quanto os inimigos tramaram, na verdade estava cumprindo o propósito traçado pelo próprio Deus: “Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (At 4.28).
Uma igreja que é cheia do Espírito Santo deve ter membros que olham o cumprimento da história do ponto de vista divino. Esta igreja compreendeu que a cruz não foi um acidente, mas, que Deus preordenou, com SUA PRÓPRIA MÃO, até as ações do povo que levou Jesus ao seu julgamento, e morte.
No terceiro capítulo da Confissão de Fé de Westminster, lemos: “Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas”.
Deus é tão sábio que faz com que os gentios (inimigos do povo de Deus) façam o mal (sem os forçar) com suas próprias mãos; assim, portanto, eles são responsáveis, no entanto, mesmo esse mal já  havia planejado de antemão pelo poder providencial de Deus. Glórias a Deus!!
5) Uma oração REALIZADA COM PROFUNDA EXPECTATIVA DE UTILIDADE – “agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, 30 enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus” (4.29,30).
A idéia desse bloco é: “E agora, Senhor, tome nota das SUAS (do Sinédrio) ameaças”. Eles entenderam que as ameaças dos inimigos estavam NAS MÃOS de Deus, mas, a despeito das ameaças , Deus poderia utilizá-los como instrumentos de suas mãos, a despeito: “concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, 30 enquanto estendes a mão para fazer curas...”
Irmãos observem!! Eles não pediram para Deus matar os inimigos; não caíram em auto comiseração; não repreenderam, ou amarraram os “demônios da perseguição”, Não!! Eles nutriram EXPECTATIVA de que Deus os revestisse de uma coragem destemida, para serem INSTRUMENTOS UTEIS, e proclamar corajosamente, mesmo em meio à fúria dos inimigos, o evangelho. Eles estavam mais preocupados com A MISSÃO do que com o conforto, e assim, Deus iria confirmando sua obra, por meio de sinais, prodígios, e maravilhas.
Uma igreja cheia do Espírito Santo tem a agenda aberta para as intervenções portentosas de Deus. É DEUS, E SOMENTE DEUS, QUEM REALIZA O MILAGRE; mas, uma igreja cheia do espírito Santo, está aberta ao extraordinário, ela nutre uma profunda expectativa que Deus realize coisas incríveis, coisas extraordinárias e portentosas no seu meio, como autenticação da corajosa proclamação do evangelho, em meio às adversidades e tribulações.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O TESTEMUNHO DE COMO UM COLEGA DO MESTRADO TEM ENFRENTADO O SOFRIMENTO

Depois de enfrentar quatro cirurgias e quatorze emergências hospitalares nos últimos meses de 2016, e ainda lidando com alguns efeitos colaterais das mesmas, percebo com mais clareza que o sofrimento na vida do cristão é uma forte tentação para uma espécie mais suavizada de Niilismo. Buscamos, digamos, "micro-respostas" e sabemos que elas existem, mas o nosso coração não descansará enquanto não r
e-significarmos o nosso sofrimento com uma lente bem maior que as nossas próprias. Ao contrário do que se diz, o segredo de lidar com o sofrimento não é buscar a força interior, mas buscar a "força superior" do Cristo crucificado.
Se olharmos para a cruz de Cristo, perceberemos que a nossa dor e o nosso sofrimento possuem, eu diria, um "macro-significado", tanto cósmico quanto pessoal, segundo o qual Deus, soberana e graciosamente, conforma-nos, como seus amados eleitos, à imagem de seu Filho (Rm 8.28,29), usando, para tanto, as nossas aflições como uma de suas principais "ferramentas de trabalho".
O sofrimento do cristão não é auto-expiatório, nem auto-flagelante, nem apenas uma mera escolinha de amadurecimento. Ele é cristorreferente. Na ausência de "micro-respostas" para as adversidades da vida, adversidades que enfrentamos sem sermos nós os promotores dela (1Pe 2.18-25), somos chamados à confiar e à descansar no sofrimento do Filho de Deus, surrado e moído por amor à nós, pagando a penalidade dos nossos pecados, o justo pelos injustos - é, no mínimo, inconsistente crer e amar o Cristo da cruz e odiar a sua própria. A graça soberana de crer nele, é, muitas vezes, misteriosamente, acrescida da graça, igualmente soberana, de padecer com ele (Fp 1.29).
Se você crê e ama a Cristo, não estranhe se a dor e o sofrimento encontrarem o seu endereço, e não o do vizinho, como se fosse indício de alguma espécie de "abandono paternal celestial"; pelo contrário, quando essas ferramentas de trabalho do Pai talharem mais fundo no seu coração, elas doerão mais, certamente, mas lembre-se de que elas estão em mãos seguras, em quem tem o controle providencial de todas as coisas e faz com que todas elas contribuam para torná-lo ainda mais semelhante ao seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Não há significado maior para a dor e o sofrimento que esse.
Mesmo no nosso atual estado de graça, o "nosso microscópio" pouco servirá para encontrarmos significado para o nosso sofrimento. Somos seres limitados metafísica e ontologicamente. Precisamos de "lentes maiores", a fim de olharmos para todas as circunstâncias da nossa vida, sejam elas, aos nossos próprios olhos, boas ou más, e enxergá-las como obras de um Deus Todo-Poderoso que tem um plano todo-abrangente, em quem encontramos significado.
LEANDRO RIBEIRO