quarta-feira, 21 de agosto de 2013

ALEGRIA ULTRA-CIRCUNSTANCIAL

Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 1.3   sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 1.4   Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes - Tiago 1:2-4 
Tiago, líder da igreja de Jerusalém, escreve para as doze tribos da dispersão (Tg 1:1), gente que estava vivendo no vale do sofrimento, perdendo seus bens e sua liberdade. Para esses crentes fuzilados pelos ventos da perseguição, Tiago traz uma palavra de encorajamento. Destacaremos, aqui, alguns pontos importantes:
EM PRIMEIRO LUGAR, AS PROVAÇÕES NA VIDA DO CRENTE SÃO NECESSÁRIAS. Tiago escreveu: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tg 1.2). Tiago fala das provações com muita naturalidade. Não é nada excepcional. Passar pelo vale da prova não significa ausência do amor de Deus. Ser provado não é falta de fé nem expressão de imaturidade espiritual. A prova é diferente da tentação. O inimigo nos tenta para nos enfraquecer; Deus nos prova para nos fortalecer. O inimigo nos tenta para nos derrubar; Deus nos prova para nos transformar. Um atleta só tem um desempenho notório quando se submete à disciplina das provas. Através das provas, Deus vai esculpindo em nós o caráter de Cristo. Por meio do sofrimento, Deus vai nos burilando e nos tornando semelhantes a Cristo, que aprendeu pelas coisas que sofreu.
EM SEGUNDO LUGAR, AS PROVAÇÕES NA VIDA DO CRENTE SÃO VARIADAS. Tiago escreveu: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tg 1.2). Tiago diz que os crentes passam não por poucas, mas por várias provações. Essa palavra significa “de diversas cores”. Há provas amenas e provas severas. Há provas leves e provas pesadas. Há diversas tonalidades de provas. Para cada prova, entretanto, há uma graça especial de Deus que nos capacita a enfrentá-la. Deus não nos prova além de nossas forças. Com a prova, Deus provê também o livramento. As provas não são produto do acaso, mas têm sua gênese na soberana providência divina. Mesmo quando o diabo e suas hostes lançam seus dardos inflamados contra nós, Deus transforma essas situações em bênção para nós. Podemos afirmar, com uma convicção inabalável: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).
EM TERCEIRO LUGAR, AS PROVAÇÕES NA VIDA DO CRENTE SÃO PASSAGEIRAS. Tiago escreveu: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tg 1.2). s provas vêm e vão, mas nós prosseguimos em nossa jornada rumo ao céu. Cruzamos desertos tórridos, descemos a vales escuros, escalamos montanhas íngremes e atravessamos pântanos perigosos, mas mesmo sangrando nossos pés nesse caminho estreito, marchamos resolutamente rumo à bem-aventurança eterna. Nós nos alegramos não por ficarmos nas provas, mas por passarmos por elas.
EM QUARTO LUGAR, AS PROVAÇÕES NA VIDA DO CRENTE SÃO PROPOSITAIS. Tiago escreveu: sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança... e diz mais Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes (Tg 1.3,4). O projeto de Deus é nossa maturidade espiritual. A provação produz perseverança e a perseverança tem como objetivo sermos perfeitos e íntegros, em nada deficientes (Tg 1.3,4). Não há maturidade espiritual sem prova. Não há fortalecimento das musculaturas da nossa alma sem exercício. Somos provados para sermos aprovados. A fornalha das provações queimam apenas nossas amarras. Deus nos predestinou para sermos conformes à imagem do seu Filho e Deus está trabalhando em nós, transformando-nos de glória em glória, na imagem de Cristo. O cinzel de Deus é a prova. As provações tem como propósito nos desmamar das glórias deste mundo e colocar nossos olhos na recompensa eterna.
EM QUINTO LUGAR, AS PROVAÇÕES NA VIDA DO CRENTE DEVEM SER ENFRENTADAS COM TODA ALEGRIA. Tiago iniciou este bloco assim: Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações. Não somos como os estoicos que acreditam num destino cego. Não vivemos debaixo do rolo compressor das circunstâncias irremediáveis. Nossa vida é governada pelas mãos daquele que está assentado na sala de comando do universo e governa o mundo. Alegramo-nos não no sofrimento da prova, mas na convicção de que Deus está no controle de toda e qualquer situação e utilizará até mesmo a nossa dor para o nosso bem final.

Afirmamos, portanto, com entusiasmo, que a alegria do crente é ultra-circunstancial. Se olharmos o que Habacuque cantou; é de impressionar: Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, 3.18   todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. 3.19   O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente (Habacuque 3.17-19).

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A EXCELÊNCIA DA PESSOA E DA OBRA DE CRISTO - Cl. 1:13-18

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, 1.14   no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. 1.15   Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 1.16   pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 1.17   Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. 1.18   Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia – Colossenses 1.13-18

A carta aos Colossenses é um Tratado Teológico sobre a excelência da pessoa e da obra de Cristo. Já no primeiro capítulo isso se evidencia por 04 vertentes:
1- A Relação de Cristo com a Criação (16) - “Nele foram criadas todas as coisas sobre os céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis,, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele”. As galáxias, todo universo, os animais, o ser humano, os anjos e toda milícia celestial, tudo procede dele. Ele é o Autor, a Fonte, e o Agente (não um “mero observador”) de TODA criação. Todos que atribuem a criação a um processo evolucionário furtam de Cristo a sua glória. João 1:3: “todas as coisas foram feitas por intermédio dele e, sem ele, nada do que foi feito se fez”
2- A Relação de Cristo com a Divindade - “15: Este, é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criação. 17: Ele é antes de todas as coisas. 19: por que aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude” - Cristo não é uma emanação de Deus, nem um espírito iluminado (como dizem os espíritas), ou uma “imitação pirateada” de Deus, mas a IMAGEM do Deus invisível. A palavra imagem significa “A revelação exata daquilo que Deus é”. Cristo é a revelação do Deus eterno; é tudo o que Deus é.  Nesse sentido, nenhuma criatura em todo o universo a não ser Deus encontra-se em pé de igualdade com Cristo, pois, ELE relaciona-se diretamente com a divindade. João 1:1: “no princípio era o verbo, o verbo estava com Deus e o verbo era Deus.” João 14:9: Quem vê a mim vê o Pai. João 10:30: Eu e o Pai somos um. Hebreus 2:9: “Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”
3- A relação de Cristo com a Igreja (18) - “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio e o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia”. A igreja procede de Cristo, e é sustentada, governada,  e dirigida por ele. Foi Jesus quem disse (Mt. 1618): “EU edificarei a MINHA igreja... por isso, ...as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Ninguém na terra tem poder para auto denominar-se “Senhor”, ou  “Papa” (o Papai (!?), mesmo que seja o “Francisco” com toda sua pretensa “humildade”. A igreja só tem uma fonte, uma cabeça, uma origem, um dono, um SENHOR: Jesus!
4- A relação de Cristo com a Salvação (13,14) - “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados”. Observe o que ele fez: A) Nos libertou do império das trevas, B) Nos transportou para um Reino de amor, C) Nos redimiu (nos resgatou para Ele), e, D) Nos concedeu o perdão dos pecados.  05 coisas são dignas de nota de observação neste ponto: 1) A realidade de um Reino de Trevas; 2) A ineficácia das nossas obras (tentativas) para nos salvar. 3) A realidade de um Reino de amor. 4) A eficácia da obra de Cristo a nosso favor. 5)  A existência de indizíveis bênçãos espirituais seguras, disponíveis em Cristo.
As teorias evolucionistas furtam de Cristo sua glória na criação, as Testemunhas de Jeovah e os espíritas Kardecistas furtam sua glória na Divindade; os Católicos Romanos, a glória na igreja, ao atribuir outro “cabeça” para a igreja. Juntamente com estes, outros tantos que buscam recursos para salvação por meio dos méritos à parte de Cristo, a glória na salvação. Convido você a juntar-se a mim e dar glória só a Cristo.
Solus Christus!!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Por que é tão difícil para nós aceitar que o menino matou os pais?

Desde o primeiro dia que a televisão deu a notícia da chacina na zona norte de São Paulo, eu não consegui acreditar que o garoto de treze anos poderia ser o assassino da família. Hoje, a mídia começa a especular outras possibilidades, falando sobre possíveis denúncias feitas pela mãe do garoto (que é policial) a respeito de policiais corruptos, o que poderia conduzir a investigação para outros rumos. Todos nós, de certo modo, ansiamos para que haja outra explicação para o caso, e talvez possa haver mesmo. Porém, meditando nesse terrível assunto, a pergunta acima começou a se tornar importante para mim. Ela é reveladora de anseios profundos que habitam nossa alma, e infelizmente, muitos desses anseios são completamente infundados e mentirosos.
Em primeiro lugar é difícil para nós aceitar que um garoto de treze anos possa fazer algo assim tão terrível porque alimentamos a ilusória esperança de que o ser humano não seja tão perverso quanto é. É uma ilusão romântica que, apesar de todos os desmentidos da mídia a nos mostrar diariamente o que o ser humano é capaz de fazer, ainda assim, lutamos desesperadamente para crer que resta algo de bom nessa raça que a Bíblia chama de decaída, pervertida e corrupta (Fp 2.15; Jr 17.9; Rm 3.10-12,23).
Em segundo lugar, há uma ilusão ainda mais arraigada em nosso coração a respeito da bondade inerente dos infantes. Queremos acreditar que o terrível mal do pecado não os atingiu, ou que só os atinge a partir de certa idade, ignorando o ensino bíblico de que todos já nascem pecadores (Rm 5.12, Sl 51.5).
No entanto, todo esse caso também nos ensina algo importante que, se for considerado atentamente, poderá trazer grande benefício para a vida das pessoas. A primeira lição é que todas as pessoas (inclusive nós) são capazes de realizar os atos mais terríveis. Há potencial em cada ser humano para ser o pior dos criminosos. Deus refreia a pecaminosidade humana a fim de impedir que esse mundo se torne um verdadeiro inferno. No entanto, de tempos em tempos, ele solta os freios de algumas pessoas, que ficam como testemunhos perante nossos olhos do verdadeiro mal que habita em todos nós. Até porque, somente quando o ser humano compreende sua condição, seu estado deplorável, sua absoluta inaptidão para ser justo, é que ele está preparado para receber o maior dos presentes de Deus: a salvação. Quando toma consciência de sua pecaminosidade, de seu terrível e completo estado de perdição, o homem pode compreender o amor de Deus que enviou seu próprio Filho para sofrer a maior das violências na cruz, e assim conduzir os perdidos aos braços do Pai (Jo 3.16, Rm 5.8).
Talvez o garoto não tenha realizado o que estão atribuindo a ele. Mas há algo que não podemos ignorar: ele pode ter feito isso. Não devemos acompanhar esse tipo de caso com um sentimento mórbido por ver o mal dos outros, e, às vezes, alimentar um senso inócuo de superioridade por não estar em situação semelhante; antes, humilhados diante de Deus, reconhecendo toda a falência espiritual do gênero humano, suplicar sua misericórdia para nosso mundo; ansiar e contribuir para que o Evangelho alcance e transforme mais vidas; e que o Reino vindouro venha depressa. Maranata!
Leandro Lima - Igreja Presbiteriana de Santo Amaro (SP)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A EXCELÊNCIA DA PESSOA E DA OBRA DE CRISTO


A carta aos Colossenses é um Tratado Teológico sobre a excelência da pessoa e da obra de Cristo. Já no primeiro capítulo isso se evidencia por 04 vertentes:
1- A Relação de Cristo com a Criação (16) - “Nele foram criadas todas as coisas sobre os céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis,, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele”. As galáxias, todo universo, os animais, o ser humano, os anjos e toda milícia celestial, tudo procede dele. Ele é o Autor, a Fonte, e o Agente (não um “mero observador”) TODA criação. Todos que atribuem a criação a um processo evolucionário furtam de Cristo a sua glória. João 1:3: “todas as coisas foram feitas por intermédio dele e, sem ele, nada do que foi feito se fez”
2- A Relação de Cristo com a Divindade - “15: Este, é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criação. 17: Ele é antes de todas as coisas. 19: por que aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude” - Cristo não é uma emanação de Deus, nem um espírito iluminado (como dizem espíritas), ou uma “imitação pirateada” de Deus, mas a IMAGEM do Deus invisível. A palavra imagem significa “A revelação exata daquilo que Deus é”. Cristo é a revelação do Deus, eterno; é tudo o que Deus é.  Nesse sentido, nenhuma criatura em todo o universo a não ser Deus encontra-se em pé de igualdade com Cristo, pois, ELE relaciona-se diretamente com a divindade. João 1:1: “no princípio era o verbo, o verbo estava com Deus e o verbo era Deus.” João 14:9: Quem vê a mim vê o Pai. João 10:30: Eu e o Pai somos um. Hebreus 2:9: “Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”
3- A relação de Cristo com a Igreja (18) - “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio e o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia”. A igreja procede de Cristo, e é sustentada, governada,  e dirigida por ele. Foi Jesus quem disse (Mt. 1618): “EU edificarei a MINHA igreja... por isso, ...as portas do inferno não prevalecem contra ela”. Ninguém na terra tem poder para auto denominar “Senhor”, ou  “Papa” (o Papai (!?), mesmo que seja o “Francisco” com toda sua pretensa “humildade”. A igreja só tem uma fonte, uma cabeça, uma origem, um dono, um SENHOR: Jesus!
4- A relação de Cristo com a Salvação (13,14) - “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados”. Observe o que ele fez: A) Nos libertou do império das trevas, B) Nos transportou para um Reino de amor, C) Nos redimiu (nos resgatou para Ele), e, D) Nos concedeu o perdão dos pecados.  05 coisas são dignas de nota de observação neste ponto: 1) A realidade de um Reino de Trevas; 2) A ineficácia das nossas obras (tentativas) para nos salvar. 3) A realidade de um Reino de amor. 4) A eficácia da obra de Cristo a nosso favor. 5)  A existência de indizíveis bênçãos espirituais seguras, disponíveis em Cristo.
As teorias evolucionárias furtam de Cristo sua glória na criação, as Testemunhas de Jeovah e os espíritas Kardecistas furtam sua glória na Divindade; os Católicos Romanos, a glória na igreja, ao atribuir outro “cabeça” para a igreja. Juntamente com estes, outros tantos que buscam recursos para salvação por meio dos méritos à parte de Cristo, a glória na salvação. Convido você a juntar-se a mim e dar glória a Cristo. Solus Christus!!


terça-feira, 23 de julho de 2013

MENOS, BATISTA, MENOS...

Estava em Monte Dourado, no vale do Rio Jari, aonde vou mensalmente para lecionar para um grupo de servos de Jesus e da sua igreja. Um privilégio dado por Deus, o de trabalhar na formação de obreiros. Vêm irmãos de Vitória do Jari, Laranjal do Jari e Munguba (do Amapá), Almeirim e Monte Dourado (do Pará). Estudo sério, um bom café, e sempre um bom peixe, no sábado.
Normalmente hospedo-me na casa do Sales, irmão da igreja local. Desta última vez, um galo tresloucado começou a cantar de madrugada, e às 10 da manhã ainda cantava. Que fôlego (e que falta do que fazer!) do penoso galináceo! Sales disse que foi presente de uma irmã da igreja para seu filho. E ela deu-lhe logo dois galos! Citei-lhe um “provérbio” maldoso: “Quer se vingar de um inimigo? Dê uma corneta para o filho dele!”. A irmã deve ter querido se vingar dele… Dois galos! E, no ensejo, contei a história do galo que se julgava o mais poderoso da fazenda onde morava. Mais poderoso que o boi, o cavalo e até mesmo que o dono da fazenda. É que quando ele cantava, o sol nascia. Só ele conseguia fazer isso. Nem o fazendeiro! O sol nascia porque ele cantava.
Uma noite, o galo ficou na farra até altas horas, perdeu o tempo, e só acordou às 9. O sol já ia alto. Consternado, ele descobriu que, cantasse ou não, o sol nasceria. Ele não era tão importante assim. Até entrou em crise existencial. Não era o que pensava…
Há gente como este galo. Julga-se muito importante. Sem elas o mundo não iria bem, ou a igreja afundaria. “Quero ver a igreja se virar sem mim!”, diz o crente vaidoso. Ou “Se não fosse por mim, o reino de Deus não avançaria!”, pensa o obreiro com complexo deste galo da história. Há famílias donas de igrejas (e como há!) que pensam que sem elas a igreja morreria. São pessoas que têm um conceito mais alto de si do que deveriam ter. Talvez a igreja melhorasse muito se elas saíssem! Vez por outra, no Facebook (onde há coisas boas, mas medram bobagens alimentadas pela falta de senso analítico, ausência cada vez mais aguda no cenário evangélico) aparece um quadro com esta mensagem: “Você é insubstituível!”. Aliás, título de um livro de autoajuda, da autoria de um escritor famoso. Todas as vezes que vejo tal quadro me recordo de uma frase: “Os cemitérios estão cheios de insubstituíveis!”. O mundo funcionava sem nós. E depois que nos formos, o mundo ainda funcionará.
E também o reino de Deus. Para cada Moisés Deus tem um Josué. Para cada Elias Deus tem um Eliseu. Para um Judas que se vai, há um Matias que vem, e que até melhora o ambiente. Deus é Soberano. Usa quem quer, quando quer, e não deve nada a ninguém por isso. Usou a Assíria para disciplinar Israel, o Norte, e exclamou: “Ai da Assíria, a vara da minha ira!” (Is 10.5). Usou a Assíria, mas esta não ficou com crédito junto a ele. Ele a julgou. Nações e pessoas são instrumentos, apenas. O sujeito das ações é ele. O autor da história é ele. A glória é dele. O reino é dele, não nosso. A igreja é dele, não nossa. Só ele é insubstituível. Aliás, ele é O INSUBSTITUÍVEL.
O serviço cristão não é, como alguns dimensionam, algo a ser feito para ajudar a Deus nem para salvar a igreja de uma hecatombe espiritual. Deus não precisa de salvadores e a igreja é muito maior e muito mais poderosa do que pensamos. Ela sobreviveu a pessoas melhores e a pessoas piores que nós. Ela sobreviveu à perda de um Paulo e ao surgimento de um Nero. Ela é de Jesus e exatamente por isso nunca será vencida.
O serviço cristão é útil, sim, ao reino e à igreja. Isto é inegável. Mas se falharmos, o reino e igreja continuam. Deus não fica desorientado porque perdeu um auxiliar de ponta. Ele não é alguém patético, mas é o Senhor. “Socorro e livramento virão de outra parte” (Ester 4.14). Ele terá outros para o serviço. Mas o serviço é, também, para termos senso de utilidade. Para mostrarmos nossa gratidão a Jesus (“O amor de Cristo nos constrange”- 2Co 5.14). Para nos realizarmos como filhos de Deus. Quem serve com alegria é sempre abençoado. Não vive buscando bênçãos. Sua bênção maior é servir. Quer glória maior que esta?
Sou pastor de uma igreja que foi muito machucada. E como é uma igreja amorosa e sensível, presumo que sua dor seja mais aguda do que se fosse uma igreja insensível em relacionamentos. Sei que sou útil a ela. Sou obreiro numa região carente. Mas não sou um herói. Nem um benemérito espiritual. Minha igreja me é mais útil que eu para ela. Meu campo me é mais útil que eu para ele. Dão-me, igreja e campo, oportunidade de me realizar como crente em Jesus (o pastor não deixa de ser um crente em Jesus!). Posso fazer alguma coisa para meu Salvador. O serviço cristão não é para nossa glória. É para nós glorificarmos a Deus. É uma oportunidade para mostrarmos nosso amor a Jesus. Bem aventurado quem tem um espaço para ser servo. A grande bênção da vida cristã é ser útil. Porque o serviço cristão enriquece o servo. Dá uma dimensão enorme à sua vida. Servir beneficia mais a quem serve que a Deus. Ele anda bem sem nós. Nós não andamos bem sem ele. Nossa vida tem mais sentido quando somos instrumentos dele.
O galo que ficou na gandaia e perdeu a hora me lembra de um personagem de humor (humor fraco, mas humor) da televisão. Um personagem chamado Batista elogiava muito o chefe e este apenas dizia: “Menos Batista, menos…”. Pois, se alguém pensa de si mesmo que é o galo que faz o sol nascer, fica esta palavra: “Menos Batista, menos…”. Seja servo.

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

quinta-feira, 18 de julho de 2013

OUVIR A VOZ DE DEUS

"A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade." Salmos 29:4. 
O mundo moderno, com seu legado positivista, nos ensina a ler com os olhos e refletir com a mente. No entanto, precisamos redescobrir o lugar do ouvir a voz de Deus e como acolhê-la no nosso coração.
Em minha jornada pessoal, o início de cada ano sempre foi caracterizado por muita reflexão e tomada de decisões em relação aos próximos passos de minha vida. Essa época, e também a proximidade da data em que comemoro mais um aniversário, me proporcionam o cenário adequado para momento mais íntimo de avaliação interior e consequente percepção da agenda de Deus para minha vida e história.
Envolvido por este exercício, fui levado a me questionar:  
O que mais necessito neste momento de minha existência?
Qual é a minha maior necessidade para a continuidade de minha jornada? 
O que devo buscar como essencial nos próximos dias, semanas e meses de minha vida? 
A conclusão a que cheguei foi de que eu preciso ouvir mais a voz de Deus em meu coração. Ela é essencial para a ordem de minha vida e para o sentido de minha história.
A história da salvação, conforme registrada nas páginas da Bíblia, tem seu início com o relato da criação do universo. Em Gênesis 1:2, encontramos a afirmação de que “a Terra era sem forma e vazia”. A palavra normalmente utilizada pelos estudiosos para definir esse estado “sem forma” e “vazio” da terra é caos, ou seja, ausência de ordem ou completa confusão. Este é o universo antes que a voz de Deus ecoe nele e através dele. Mas, imediatamente após tal descrição, encontramos uma frase que dá início a uma grande transformação no cenário. Por onze vezes, ao longo daquele capítulo, o autor de Gênesis faz uso da seguinte frase: “Disse Deus”. A partir do momento em que a voz de Deus ecoa no caos, tudo, gradativamente, passa a ganhar forma e ordem. Na medida em que a voz de Deus é ouvida, o caos se dissipa e a vida, em sua plenitude, se instala.
É surpreendente observar como o fantástico cenário que nos é oferecido no relato da Criação se transforma numa espécie de padrão ao longo da história bíblica, assim como em nossas vidas. Onde a voz de Deus não é mais percebida ou ouvida, gradativamente, o caos se instala e a vida se esvai. Contudo, quando a voz de Deus volta a ecoar num coração ou volta a ser ouvida numa situação, mais uma vez, o caos se dissipa e a vida se reorganiza.
Assim também acontece em nossa própria vida. Existem momentos em que passamos a nos dedicar tão exaustivamente a atender as demandas dos que nos cercam, a corresponder aos desafios que nos são lançados e a cumprir os papéis que nos são impostos, que nossa vida pode se transformar em um verdadeiro caos. Em momentos assim, não faltam compromissos e movimentos em nossas agendas; tudo, no entanto, se torna “sem forma” e “vazio”.
Quando nossas prioridades não estão alinhadas com nossa vocação e nossos esforços estão desprovidos de propósito, é aí que devemos nos render à necessidade de “ouvir mais a voz de Deus”. Somente esta voz, quando ecoa em nossos corações, tem o poder de dissipar o caos que se instala em nossas vidas. Só ela pode nos levar a reencontrar a ordem interior, lembrando-nos de quem realmente somos e para quê fomos efetivamente chamados.
Minha constatação sobre a necessidade de ouvir mais a voz de Deus me conduz a outras perguntas: 
Como podemos ouvi-la de forma mais consistente no nosso coração?
Como podemos discernir de forma mais clara a voz de Deus em meio a tantas outras vozes, inclusive as de nossa alma, que tentam nos impor suas agendas?
Em primeiro lugar, para ouvirmos a voz de Deus com mais consistência e discernimento, precisamos demonstrar que tal anseio é realmente prioritário em nossa vida. Isso implica em nos assentarmos mais vezes na presença do Senhor em solitude, silêncio e total atenção, na expectativa de ouvi-Lo falar. Afinal, como poderemos ouvir a voz do Senhor se não encontrarmos tempo para nos assentarmos com Ele e Lhe dedicarmos total atenção?
Em segundo lugar, para ouvirmos a voz de Deus com mais consistência e discernimento, precisamos redescobrir a capacidade de ler as Escrituras “com os ouvidos” e acolher a Palavra “com o coração”. O mundo moderno, com seu legado positivista, nos ensina a ler com os olhos e refletir com a mente. Creio na importância dos olhos atentos e da reflexão profunda, no entanto, precisamos redescobrir o lugar do ouvir a voz de Deus, e como acolher Seu falar em nossos corações.
Em terceiro lugar, para ouvirmos a voz de Deus com mais consistência e discernimento, precisamos nos comprometer no desenvolvimento de relacionamentos com pessoas que tenham o mesmo anseio e disposição. Pessoas envolvidas com o mesmo propósito podem nos ajudar, com suas próprias experiências nessa caminhada. No entanto, pessoas desinteressadas pela voz de Deus apenas contribuem com a sobrecarga de demandas, desafios e papéis que sempre podem nos levar para bem longe de nossa identidade e vocação.

Por: Rev. Ricardo Agreste - Ampliado de Cristianismo Hoje.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O OFÍCIO DE PRESBÍTERO E DIÁCONO

A igreja Presbiteriana reconhece 2 ofícios na igreja: Presbíteros e diáconos. Chama-se Presbiteriana por ser liderada por um colegiado de homens denominados presbíteros. O termo presbítero é uma transliteração do grego (presbyteros) e significa “ancião”, reportando-se à experiência e sabedoria dessa pessoa. Em Israel os anciãos eram tidos como as pessoas mais sábias e experientes, dignas de serem ouvidas e obedecidas (Pv 16:31; 20:29). Contudo o Novo Testamento faz uso também da expressão “bispo” (episkopos)que significa “supervisor” como um termo comum que se aplica também à pessoa presbítero também. Paulo se refere aos presbíteros em Éfeso como “bispos” em seu sermão de despedida de Atos 20.17-35. Da mesma forma, “bispo” em Tito 1.7 é um sinônimo para o termo “presbítero” usado no versículo 5. A maioria dos estudiosos reconhece isso, como J. B. Lightfoot já observou no século 19: “É um fato agora em geral reconhecido por teólogos de todas as matizes de opinião, que na linguagem do Novo Testamento o mesmo ofício na Igreja é chamado indiferentemente de ‘bispo [supervisor]’ e ‘ancião’ ou ‘presbítero’.
De acordo com o Novo Testamento, os presbíteros são responsáveis pela liderança e supervisão de uma igreja local. A função e o papel de um presbítero é bem resumida por Alexander Strauch em seu livro Biblical Eldership: “Os presbíteros: 1) Llideram a igreja [1Tm 5.17; Tito 1.7; 1 Pedro 5.1-2], 2) Ensinam e pregam a Palavra [1 Timóteo 3.2; 2 Timóteo 4.2; Tito 1.9], 3) Protegem a igreja de falsos mestres [Atos 20.17, 28-31], 4) Exortam e admoestam os santos na sã doutrina [1 Timóteo 4.13; 2 Timóteo 3.13-17; Tito 1.9], 5) Visitam e oram pelos doentes [Tiago 5.14; Atos 20.35], e 6) Julgam questões doutrinárias [Atos 15.16]. Em terminologia bíblica, presbíteros pastoreiam, supervisionam, lideram e cuidam da igreja”.
Veja abaixo as qualificações e deveres do presbítero e do diácono de acordo com alguns artigos da Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil:
Artigo 25 – A Igreja exerce as suas funções na esfera da doutrina, governo e beneficência, mediante oficiais que se classificam em: a) ministros do Evangelho ou presbíteros docentes; b) presbíteros regentes; c) diáconos.
§ 1º - Estes ofícios são permanentes, mas o seu exercício é temporário.
§ 2º - Para o oficialato só poderão ser votados homens maiores de 18 anos e civilmente capazes.
Artigo 50 - O Presbítero regente é o representante imediato do povo, por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor, exercer o governo e a disciplina e zelar pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos de toda a comunidade, quando para isso eleito ou designado.
Artigo 51 - Compete ao Presbítero: a) levar ao conhecimento do Conselho as faltas que não puder corrigir por meio de admoestações particulares; b) auxiliar o pastor no trabalho de visitas; c) instruir os neófitos, consolar os aflitos e cuidar da infância e da juventude; d) orar com os crentes e por eles;  e) informar o pastor dos casos de doenças e aflições; f) distribuir os elementos da Santa Ceia; g) tomar parte na ordenação de ministros e oficiais; h) representar o Conselho no Presbitério, este no Sínodo e no Supremo Concílio.
Artigo 52 - O presbítero tem nos Concílios da Igreja autoridade igual a dos ministros.
Artigo 53 - O diácono é o oficial eleito pela Igreja e ordenado pelo Conselho, para, sob a supervisão deste, dedicar-se especialmente: a) à arrecadação de ofertas para fins piedosos; b) ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos; c) à manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados ao serviço divino; d) exercer a fiscalização para que haja boa ordem na Casa de Deus e suas dependências.
Artigo 54 - O exercício do presbiterato e do diaconato limitar- se-á ao período de cinco anos, que poderá ser renovado.
Artigo - O presbítero e o diácono devem ser assíduos e pontuais no cumprimento de seus deveres, irrepreensíveis na moral, sãos na fé, prudentes no agir, discretos no falar e exemplos de santidade na vida.
Artigo 56 - As funções de presbítero ou de diácono cessam quando: a) terminar o mandato, não sendo reeleito; b) mudar-se para lugar que o impossibilite de exercer o cargo; c) for deposto; d) ausentar-se sem justo motivo, durante seis meses, das reuniões do Conselho, se for presbítero e da junta diaconal, se for diácono; e) for exonerado administrativamente ou a pedido, ouvida a Igreja.
Artigo 113 - Eleito alguém que aceite o cargo, e, não havendo objeção do Conselho, designará este o lugar, dia e hora da ordenação e instalação, que serão realizadas perante a igreja.

Artigo 114 - Só poderá ser ordenado e instalado quem depois de instruído, aceitar a doutrina, o governo e a disciplina da Igreja Presbiteriana do Brasil, devendo a Igreja prometer tributar-lhe honra e obediência no Senhor, segundo a Palavra de Deus e esta Constituição.